Quarta feira 16 . 10. 19 - 20h Fort x fla - T
Meu nome é Erre.
Quarta-feira dia 16 de outubro de 2019. Olho o relógio e são 16:20h, tô ansioso com o jogo. Só saio do trabalho às 19h e o jogo vai ser às 20h. Avisei ao L (46) que não vou conseguir ir para a sede ajudar com o material, terei que sair daqui direto para o estádio. Fico calculando na cabeça a melhor rota da av da universidade para o “Casteleão”. Pelo lado do kanal talvez fosse mais rápido, tem menos gente, mas dá um azar danado.
Repentinamente a livraria se enche de cliente, e bem na hora de fechar o caixa para sair. Mó embaço. Saí de lá já era mais de 19h e fui direto para o Castelão. O trânsito intenso tornou o caminho mais ansioso. Acionei o modo need for speed, velozes e furiosos e consegui chegar antes do jogo começar. Não tinha lugar para estacionar onde sempre deixo e tive que deixar o carro bem longe do estádio.
Já desci do carro com o passo acelerado. Tal hora já estava mesmo correndo em direção aos portões externos. Faltavam uns dois quarteirões ainda, mas eu já calculava qual o portão eu deveria entrar: o da direita dá acesso a uma imensa escadaria; o da esquerda é a rampa que a polícia faz a vistoria do material. As duas têm policiamento, mas a escadaria tem dois gargalos, apesar de geralmente estar mais vazia. Quando avistei a proporção de torcedores em cada entrada escolhi a rampa, já que estava tudo lotado de uma ponta a outra da calçada.
Atravessei a rua e fui para o canto mais longe do muro e mais perto das grades que formavam as filas. Com a camisa da TUF e as baquetas na mão fui me esquivando por entre as brechas que se formavam com o movimento dos corpos se deslocando. Cheguei ao primeiro baculejo então o povão começa a empurrar e gritar: solta o leão, solta o leão, solta o leão. A polícia ameaçava acertar com o cacetete e a multidão recuava. Os torcedores que já haviam passado, concomitantemente começaram a correr: escutaram o apito inicial.
Quando passei do policial também corri em direção à catraca. Lá é o maior gargalo, é onde a galera pula para não pagar o ingresso, ainda mais no momento que começa a partida. Como esperado, uma confusão se instalou. Eu só continuei meu caminho. Passei a catraca me esquivando das mãozadas que passavam vez ou outra perto de mim.
Cheguei à arquibancada onde fica a Bateria. O pessoal já estava todo em formação, munidos de seus instrumentos. Falei com o L brevemente e fui prestar atenção se as palmas da arquibancada central estavam sincronizadas com o tempo da Bateria. Nesse momento uma gatinha na cadeira bem na minha frente olhou para trás e dirigindo-se a mim e perguntou:
Você tem um cigarro?
Eu não tinha e lhe acenei com a cabeça. Deu para ver que ela ficou um pouco decepcionada. No susto, perguntei se era para aquele momento, então ela respondeu:
é…
Olhei prum lado, olhei pro outro, vi um amigo - C (26) - vindo em minha direção. Com o olhar acompanho seu deslocamento e ele para bem na minha frente, encontrando-se com um cara que eu não conhecia. Aí chamo pelo seu nome e pergunto se ele tem um cigarro. Ele responde:
Não. Só tenho o isqueiro, mas ele tem. - aponta, indicando o desconhecido.
Ela põe um sorriso no rosto, coloca o celular no bolso, estende o braço na direção do chapa lá, fala:
obrigada
O cara tira do bolso e entrega dois pra ela. Passa um pro meu amigo C, que pega o isqueiro e ascende. C pergunta pra ela se quer que ele ascenda, ela responde afirmativamente baixando o corpo em direção a ele. Fumaça pra cá, fumaça pra lá... puf, puf.
Em campo um lance perigoso e, por um momento, todo mundo para o que tava fazendo. Um chute a gol e um escanteio. O adversário vai bater… Bola pra pequena área, pra fora.
A partida segue e outra vez: isqueiro pra lá, fumaça pra cá... puf, puf. Ela devolve o isqueiro do C, olha pra mim e agradece. Fiquei meio paralizado, não sabia se pedia o zap dela ou não. Sei lá, era muito gata...
Mas tomei coragem e perguntei seu nome. Sem entender o que ela estava dizendo, entreguei o celular em sua mão e pedi pra ela anotar o número. Ela me devolve o celular e vejo escrito no contato: T (24). Até o intervalo não falamos mais nada, o jogo tava tenso… O juiz apitou e, como um raio, ela saiu da arquibancada com mais duas amigas. Deu tempo nem de tirar a vista de campo e tentar olhar pra ela, só senti o vento passando.
Então vou falar direito com o pessoal. Encontrei com o B (26), fazia tempo que a gente não se via, perguntei se ele tinha voltado pra ficar na bateria. Fui falar com o L, expliquei o atraso, ele disse que sabia que eu tinha vindo direto do trabalho e que não tinha problema. Ela voltou com uma cerveja na mão e me ofereceu, eu disse que não bebia.
O B traz a camisa da bateria para mim e diz pra eu tocar. Digo que não sabia se devia porque não estava indo a todos os ensaios e tinha chegado atrasado. Ele manda eu guardar uma garrafa de água pra a gente e diz que é pra eu tocar. Ela pergunta meu nome, eu respondo e pergunto se ela é da torcida, ela diz que sim.
Quando fui pegar a caixa na intenção de colocá-la na posição de tocar, porque ia já começar o segundo tempo, ela dá um sorriso super sincero e sobe no banco ao meu lado. Passou o segundo tempo empolgadíssima e eu achando aquilo super legal. Um pouco antes de terminar a partida ela se despede de mim e eu só podia acenar com a cabeça, porque não dá pra parar de tocar no meio da música pra falar com ninguém.
O jogo terminou, pensei logo em falar com ela. Ajudei a recolher o material e levamos para o caminhão, Levei algumas pessoas para a sede da torcida, ia acompanhar o caminhão de qualquer forma. Na sede, ajudei a botar o material na sala. Saio, acendo um cigarro, encosto no carro e pego meu celular. Acho que já era quase meia noite. Falei oi, perguntei se ela tinha chegado em casa bem. Ela respondeu que sim.
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